FESTA SEM FIM


Sair na frente! Eis o dogma que rege as iniciativas na vida moderna. Esta mentalidade apressada representa uma das características marcantes da cultura atual. Em todas as áreas a precocidade está evidente. Objetivo claro desta estratégia agressiva é polarizar a atenção sobre o ‘produto’ que se quer ‘vender’. Quem sai na frente tem mais probabilidade de atrair atenção e, consequentemente, conseguir vantagens sobre os concorrentes. Reflexo desta mentalidade agressiva é a precocidade da decoração natalina. Mal começou o mês de outubro e vários estabelecimentos comerciais ostentavam os habituais motivos natalinos. Contagiadas, outras instituições, como o poder público, sentiram-se socialmente pressionadas, a ponto de decorar ruas e avenidas já em meados de novembro! Ate a chegada do dia do Natal toda esta decoração ficará enjoativa, desgastada, e provavelmente danificada, tanta foi a inexplicável pressa para monta-la. No período festivo mesmo, os motivos natalinos não exercerão mais nenhum apelo sobre a população.

Esta estranha pressa em ostentar os motivos natalinos denuncia, na verdade, o conceito que passou a configurar as comemorações de fim do ano. Insiste-se a associar a época do Natal a uma farra no consumo. Natal é sinônimo de gastos. A dimensão religiosa, razão primeira deste tempo festivo, encontra-se significativamente reduzida. Fala-se do Natal com uma vaga, quase acidental, alusão ao nascimento do Filho de Deus. Esta mentalidade profana se difunde com tamanha velocidade e agressividade a ponto de contaminar hábitos tradicionais de famílias cristãs. Já na decoração de casa a árvore de Natal substitui em importância o presépio. Nas sacadas e nos jardins a estrela de Belém cede lugar a jogos de luzes, duendes e bonecos de papai noel. Na observação precisa de um colega sacerdote, Jesus, pela segunda vez, se vê trocado pela multidão. Na primeira, quando perdeu para o celerado Barrabás. Ultimamente, para papai noel! Curioso, censura-se tanto as imagens religiosas, mas não se ouve um protesto contra este ídolo caricato que aliena tanta gente! Quanto às tradições, por nenhuma razão a família católica perdia a Missa do Galo. Com ansiedade aguardava-se a celebração noturna da Missa festiva, para e somente depois se deleitava na saudável confraternização. Atualmente, sem nenhum remorso e com várias justificativas na ponta da língua, deixa-se a Missa para dar preferência à ceia natalina! Ouso afirmar que são muitas as famílias que passam o Natal sem encontrar tempo para ir à Missa! Algumas comunidades tentam acomodar as tensões antecipando o horário da missa do Galo. Uma estratégia ambígua, pois além de tirar a peculiaridade da data, na realidade admite-se e submete-se à supremacia dos valores profanos.

Lamentar não é o caso. O foco não está na saudade de outros tempos. A questão é de valores. Importa mais a festa do que o mistério religioso. Celebrar o Natal sem destacar a marcante presença de Jesus é privar-se da razão fundamental de todo clima de alegria. A humanidade se rejubila porque Jesus, o Filho de Deus, veio fixar morada com os homens.  Veio para restaurar a desfigurada imagem do ser humano. Jesus nasceu para devolver ao Homem a sua original dignidade, o seu legitimo esplendor. Um motivo que justifica e configura sobremaneira todo clima de festa e de alegria. O que parecia impensável, o Filho de Deus realizou. Abertos os céus, Deus assumiu a forma carnal para dar sentido à história humana. Assumindo a carne humana, Jesus recoloca o Homem, apesar de toda a fragilidade e imperfeição, no digno pedestal que é seu por desígnio divino. Na feliz expressão do apóstolo Paulo, Deus Pai, em Jesus, enriqueceu a humanidade com todas as bênçãos. Por Ele se dão ao mundo todo bem e toda graça, repete, com convicção a liturgia católica.

A precocidade na exposição dos símbolos natalinos desvia a atenção da razão principal da festa. Cuida-se do assessório e olvida-se do essencial. É a alma humana que precisa estar enfeitada, disposta e pronta para acolher e abrigar o Redentor. Descurando do essencial, as comemorações natalinas ficam enjoativas e artificiais, obrigatoriamente ruidosas, com dia e hora para terminar. Tão distante da intenção primeira do menino Deus, que nasceu para que os homens, sem exceção, vivam uma festa sem fim!

Pe. Charles Borg 


Loading

Mais links abaixo, vale apena ver

Loading

Categorias

Arquivos

Divulgue-nos


Parceiros